Sobre o Blog

Este é um blog despretensioso, criado após muita insistência da minha irmã, para que eu registrasse as minhas receitas e compartilhasse com ela. Ela criou e nomeou o blog, utilizando a forma como me chama: Brunildinha. Este é um espaço onde compartilho minhas receitas, não só com ela, mas com todos vocês!
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sábado, 4 de outubro de 2014

ESPECIAL ERVAS E ESPECIARIAS: ALECRIM

Alecrim (Rosmarinus officinalis)

                                                                                                              Fonte da imagem: Google

Nativo do Mediterrâneo, é cultivado nas zonas temperadas da Europa e América há muito tempo. Seu nome latino (rosmarinus) significa "o orvalho que vem do mar", porque o alecrim (que crescia espontaneamente) perfumava as praias do mediterrâneo.

É  um arbusto forte, lenhoso  e perene. Suas folhinhas são duras, espetadinhas, verdes escuras na frente e prateadas atrás. Tem sabor levemente picante e amargo. 

Seu uso é conhecido desde a antiguidade. Tem uma lenda que conta que suas flores eram brancas mas tornaram-se azuis após Nossa Senhora descansar com o menino Jesus sob a sua sombra durante a fuga para o Egito e outra que diz que só crescia no jardim dos homens justos. Na Grécia antiga acreditava-se que o alecrim estimulava a memoria, e por isso os estudantes tinham o habito de entrelaçar ramos em seus cabelos enquanto estudavam. Utilizavam ramos de alecrim nas grinaldas das noivas para dar sorte. Nos enterros era utilizado para dar paz e passe para a imortalidade. Desde a era romana é cultivada na Inglaterra. E no começo do século IX, Carlos Magno, em seu "Capitulaire de Villes", incluiu a erva na lista das plantas essenciais para o cultivo nas propriedades imperiais. No fim da Idade media ela ainda era usada como incenso para purificações purificações. Também tomavam banhos com a erva, com o intuito de erguer as forças.  

Possui poderosa atividade antioxidante, sendo conhecida como erva da juventude. Tem propriedades anti-inflamatórias, antissepticas, digestivas, diuréticas e ajuda a eliminar o ácido urico (o que explica seu uso contra gota e reumatismo)

Na culinária é bastante utilizado na cozinha mediterrânea, Italiana e grega. Como é uma planta disponível o ano todo, não há necessidade de usar a versão desidratada. Porém é uma boa opção, já que quando desidratadas as folhas ainda retem o sabor. As flores tem um gosto mais suave do que as folhas. É uma erva que resiste a cozimentos longos.

Os ramos inteiros são bons para maridadas (em especial para cordeiros). Quando colocados sobre carne assadas conferem um sabor sutil e defumado. 

Os talos mais velhos e mais fortes podem ser usados como palitos para aperitivos ou como pinceis de cozinha, já os ramos novos são melhores para aromatizar azeites.

                                                                                                          Fonte da imagem: Google

Combina bastante com pratos que levam carne, em especial cordeiro e carnes de caça. Além de ficar bom com: damasco, berinjela, repolho, cream cheese, ovos, peixe, cordeiros, lentilha, cogumelos, cebola, laranja, carne de porco, batatas, aves, coelho, abobora, tomate

O alecrim tende a sobressair-se quando combinado com ervas delicadas, mas pode ser usado com ervas mais robustas como louro, tomilho, sálvia e óregano.

Algumas receitas com alecrim para inspirá-los:


Fonte: Ervas e especiarias (Jill Norman); O livro das especiárias (John Gregory-Smith), Entre o jardim e a horta (Gil Felippe), As ervas do Sítio (Rosy L. Bornhausen), Viagem ao fabuloso mundo das especiarias (Rosa Nepomuceno).

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

ESPECIAL ERVAS E ESPECIARIAS: ALHO

Alho (Allium Sativum)

Fonte da imagem: Google

Uma das primeiras ervas a serem cultivadas. Dizem ser nativo dos desertos da Ásia Central, mas espalhou-se rapidamente pelo globo.No Brasil, dizem ter chegado junto com as caravelas portuguesas. 

Na antiguidade era bastante consumido pelos trabalhadores egipsios na época da construção das pirâmides (devido às propriedades bactericidas evitando que adoecessem) e pelos soldados romanos, contudo a elite Romana o evitava, por causa do cheiro. 
A responsável pelo cheiro caracteristico do alho é o dissulfeto da alicina, resultante da quebra das celulas do alho. Quando cortamos o alho, a aniliase (uma enzima) é liberada modificando quimicamente a substância alinia em alicina, resultando no cheiro caracteristico. A alicina também é responsável por inibir o desenvolvimento de bactérias e fungos.

Antigamente seu principal uso era medicinal e também acreditava-se que afastava os maus espíritos (inclusive a lenda de que alho espanta os vampiros vem daí). Hoje, apesar do conhecimento de suas propriedades, como por exemplo proteger as mucosas da garganta e nariz, baixar a pressão arterial e o colesterol, seu uso culinário é bem mais importante. 

É uma hortaliça herbácea e a parte consumida é o bulbo (ou cabeça) com 8-10 bulbilhos (dentes). O bulbo pode ser fresco ou seco. O fresco tem uma casca branca (e macia grossa) e são mais suculentos e suaves, enquanto que o seco pode ter casca branca, rosa ou violeta (depende da variedade). 
Na hora de comprar procure por cabeças redondas, sem amassados, sem manchas e sem sinal de estarem brotando. Os dentes devem estar firmes e unidos (evite quando os dentes estiverem soltos ou murchos). 

Além do bulbo (fresco ou seco), também o encontramos em flocos, grânulos ou em pó. Pode ser preparado de diversas formas: refogado, assado, cozido ou até mesmo cru. Ele proporciona um gosto suave quando cozido lentamente e um sabor forte e ardente se cozido rapidamente. Independente do preparo escolhido, tenha o cuidado para não queimá-lo, pois ele fica amargo.

Existe também o alho negro, que nada mais é do que o alho comum após passar por um processo de maturação, o que altera sua cor e também seu sabor. Inicialmente era consumido no Japão, devido às suas propriedades fitoterápicas, mas hoje é considerado um ingrediente gourmet utilizado na finalização de diversos pratos. 


O uso do alho culinária é tão extenso que pode ser utilizado em quase todos os pratos salgados. 

O alho também combina com a maioria das ervas e especiarias. Ao redor do mundo é ingrediente básico de várias cozinhas internacionais: na Ásia é comumente usado com capim limão, gengibre, coentro, pimenta e molho de soja; em Cuba é utilizado na preparação de mojos (molhos) com cominho e limão; na Itália é bastante utilizado com tomate, manjericão, e também é essencial no preparo do Pesto e da Gremolata; na França é um dos principais ingredientes do aïoli (molho da região de Provença a base de azeite, gema de ovo e azeite) e do Rouille (molho a base de alho, açafrão e pimenta); na Grécia fazem a Skordalia (uma pasta a base de alho); na Rússia é bastante consumido como conserva e, aqui no Brasil, junto com a cebola, faz parte do "tempero base", o famoso refogado da comida brasileira. 


Selecionei algumas receitas para inspirarem vocês a utilizá-lo de formas diferentes:



Fonte: Ervas e especiarias (Jill Norman); O livro das especiárias (John Gregory-Smith), Entre o jardim e a horta (Gil Felippe) e Bombay

domingo, 28 de setembro de 2014

ESPECIAL ERVAS E ESPECIARIAS: SABORES DO MÉXICO

Para iniciar a série de posts especiais, minha querida amiga Melissa, que vive no México, vai nos contar um pouco sobre os aromas e sabores desta culinária tão rica que é a mexicana. Ah, ela tem um blog super legal, onde conta um pouco da sua experiência em outro país: "Viviendo en el mexico magico".


Uma das minhas maiores preocupações quando mudei era a adaptação a culinária mexicana. Mas o motivo era não me adaptar! Risos para isso....Me adaptei e muito. Agora a preocupação é não embalofar, antes eu tivesse não me adaptado... Ou, possuísse um metabolismo hard core! :/



A culinária mexicana é riquíssima, e não é a toa que em novembro de 2010, foi reconhecida como Patrimônio Cultural Inmaterial de la Humanidad. Assino em baixo de quem fez isso!

A origem da comida mexicana é o encontro de duas tradições milenárias: a comida espanhola e a dos povos nativos do México.

Das origens indígenas vem o milho, a pimenta, os feijões, as abóboras, o abacate, tomates, cacau, frutas... Os espanhóis trouxeram a carne de porco, boi e frango. A pimenta, o açúcar, leite e seus derivados, trigo etc...

Do encontro dessas duas culturas surgiram o pozole, o mole, barbacoa, tamales, os milhares de tipos de pães e tacos! As bebidas como o atole, águas frescas, horchata de arroz e água de raiz...dentre tantos...

Os chineses (arroz), os árabes, latino americanos, todos fizeram contribuições para a culinária mexicana com o passar dos anos. A culinária mexicana é também muito variada e cada região tem sua especialidade. No norte do país, as receitas são conhecidas por terem ingredientes baseados em carne de cabra e bife. Já no sul, pela galinha picante, e muitos legumes.

Para o poeta Ramón López Velarde, a pátria é uma superfície de milho, o que unifica tudo é a utilização do milho; já José Vasconcelos disse que a civilização termina onde começa a carne assada; em contra partida Alfonso Reyes, de Monterrey, vê como uma cópia do mundo da Odisséia, onde as proezas gastronômicas são dignas de Homero. Chique né? Eu sei bem é que tem muita, muita coisa pra contar...



São tantas as receitas da gastronomia mexicana, que é impossível, uma pessoa, em sua vida, provar todas.

E opções de restaurante, barzinhos, tianguis, barraquinhas é o que não falta.

Junto com o blog da minha amiga Barbie Chef, Receitinhas da Brunildinha, vamos fazer uma parceria gastronômica, e de 15 em 15 dias, vamos publicar algo referente a culinária mexicana.

Comecemos com as especiarias, que vou te contar, há zilhões de opções.

A gente vai ao mercado e fica perdida, são corredores só de temperos,  de pimentas, de ervas... Dá pra passar horas lá.


  • Açafrão/Azafran: 


Esta especiaria também conhecido como o “açafrão mexicana” ou “falso açafrão”, geralmente é adicionado em quantidades muito pequenas. Azafran é utilizado principalmente para a sua cor, em vez de o sabor, uma vez que tem um sabor ligeiramente amargo. É usado principalmente em frutos do mar e receitas de frango cozido com arroz.

A flor do açafrão tem coloração púrpura com estigmas vermelhos e é muito delicada. A apanha deve ser feita no dia da floração para preservar o sabor intenso e a deliciosa fragrância, mas, como é muito frágil, tem que ser manualmente uma vez que seria destruída se fosse colhida por máquinas. Cada flor é arrancada do seu caule e reunida em cestos para posterior colocação à “mesa”. Os estigmas são cuidadosamente extraídos da flor e reunidos para serem secos e levemente tostados sobre fogo indireto por 30 min. Este processo permite retirar o excesso de umidade e intensificar o aroma.

Agora, como na Antiguidade, é a especiaria mais cara, pois, na sua preparação manual, são necessárias de 100 a 150 mil flores para se obter 1 kg. É a ÚNICA que equivale ao seu peso em ouro. Vantagem é que com apenas uma pitada faz-se uma receita farta. O bom açafrão deve ser fresco e de cor laranja-vivo. As falsificações existem aos montes, sobretudo no açafrão vendido em pó. Conta a história que Henrique VIII, da Inglaterra, era tão apreciador da especiaria, que mandava para a forca quem fosse pego falsificando-o. Cleópatra também utilizava a essência de açafrão para seduzir. Os fenícios tinham a tradição de passar a noite de núpcias em lençóis coloridos com açafrão e os gregos consideravam um afrodisíaco poderoso, quando misturado no banho.


  • Epazote


Também conhecido como “chá mexicano”, esta é uma rara erva utilizada para dar sabor a alguns pratos feitos com feijão. Acredita-se que epazote pode aliviar os problemas digestivos causados pela ingestão de feijão. Deve ser utilizado em quantidades muito pequenas, pois grandes quantidades podem ter efeitos tóxicos sobre o corpo humano.




  • Chili em pó


Esta é uma mistura de diferentes tipos de pimentas. Por vezes, algumas especiarias também são adicionados a esta mistura. Pimenta em pó é uma parte inseparável da culinária mexicana e é usada em uma ampla variedade de pratos como molhos, carnes, aves, etc. Diferentes tipos de chili em pó disponíveis no México, que são usados em várias receitas. Cada tipo dá um sabor diferente para o prato. Chipotle pimentão em pó, as secas fumadas pimentas jalapeño, dão um sabor especial para uma variedade de alimentos. Ancho chili em pó tem um sabor frutado e adocicado. Chili em pó doméstico contém algumas outras especiarias como cominho, alho, orégano, sal e coentro. Outros tipos, como pó de pimentão verde ou pó pasilla pimentão também são muito populares.



  • Coentro/Cilantro




Cilantro nada mais é que folhas de coentro fresco. Como folhas secas de coentro não retêm o sabor, as frescas são mais utilizadas. Os géis de sabor picante e pungente combinam perfeitamente com pratos mais mexicanos como salsas, moles de feijão, arroz e pratos, sopas, guisados ​​e pipians. Estas folhas são usadas principalmente para enfeitar e temperar.

Há quem ame e quem odeie. Na Europa, por exemplo, é comum evitá-la. Já não pode se dizer o mesmo dos mercados da Índia, China, Japão, México e toda a América do Sul – onde é uma das ervas aromáticas mais comuns.  Como o calor torna seu sabor menos acentuado é muito comum utilizar as folhas cruas ou adicioná-las ao prato pouco antes de servir. Ainda que seu uso mais comum seja na culinária, era utilizada pelos egípcios como planta medicinal. Ela foi encontrado na tumba do Rei Egípcio Rameses II. Médicos da Grécia Antiga achavam que as folhas tinham poderes curativos e as utilizavam também para auxiliar na perda de peso. 



  • Tomilho/Tomillo


Tomilho é conhecido como tomillo no México. Esta erva de sabor picante é uma parte indispensável da culinária mexicana. É usado principalmente em molhos, sopas, picles e pimentões marinados. As espécies mais usadas na culinária são oriundas do sul da Europa e do Mediterrâneo. Entre as varias espécies de tomilho cultivadas como condimentares e ornamentais estão o tomilho-limão, o tomilho-laranja e, da Córsega e da Sardenha, o tomilho-alcarávia, cujos nomes populares descrevem seus aromas.
Tomilho em grego significava “fumigar”. Talvez porque fosse usado como incenso e também por ter um forte aroma.



  • Cominho/Cuminos


Sementes de cominho tem um sabor especial. Podem ser utilizadas sozinha em pó ou usadas junto com outras especiarias. São usadas principalmente junto com chili em pó para equilibrar o sabor e são adicionadas á sopas e guisados de carne.
A planta do cominho é tradicional de países quentes. Além disso, existe com flores liláses e brancas. Mas não se empolgue com as flores, pois a parte comestível é a semente. Originário do Oriente e cultivado na região mediterrânea muito antes de Cristo, o cominho tem aroma acre e é um condimento muito popular no México e no norte da África. Seu sabor intenso domina qualquer prato, por isso utilize pouca quantidade.


(utilizei informações e fotos do google, principalmente dados históricos do site armazém das especiarias...)


Então é isso aí, a nossa vida com temperos têm muito mais sabor!
E eu, fico na cola da Bruna, pra aprender a utilizá-los!!!!

Beijinhos!!! 

ESPECIAL ERVAS E ESPECIARIAS: INTRODUÇÃO

Se existe algo capaz de adicionar sabores e aromas de forma rápida às receitas são as ervas e especiarias. A maior parte das ervas que utilizamos cresce em clima temperado, enquanto que as especiarias são produtos de plantas tropicais: raízes aromáticas, cascas, sementes, brotos e frutas, em geral utilizados em sua forma desidratada, inteira ou moída.


Fonte da imagem: Google



As ervas podem ser usadas no estado fresco ou seco. Quando comparamos os dois tipos, as ervas secas tem mais paladar enquanto que as frescas são mais aromáticas. Adicionadas no inicio do cozimento transmitem sabor e no final garantem a retenção do aroma. De modo geral, eu prefiro utilizar sempre as frescas, com excessão do orégano (acho o fresco muito forte), mas na impossibilidade de encontrar algumas ervas in natura, recorro as secas.


Apesar de existirem diversas ervas/especiarias, muitas vezes não as utilizamos, por não conhecer e não saber com quais ingredientes combinam. Atendendo a pedidos, resolvi escrever uma série de posts especiais explicando um pouco sobre os diferentes tipos. Dividi as ervas e especiarias de acordo com o sabor dominante e escreverei um post sobre cada uma delas: 

  • Ervas frescas e suaves
  • Ervas perfumadas
  • Ervas cítricas ou acres
  • Ervas anisadas ou com sabor de alcaçuz
  • Ervas mentoladas
  • Ervas aceboladas: alho
  • Ervas amargas e adstringentes
  • Ervas picantes e pungentes: alecrim
  • Especiarias com sabor oleaginoso
  • Especiarias perfumadas
  • Especiarias acidíferas e frutadas
  • Especiarias cítricas
  • Especiarias anisadas ou com sabor de alcaçuz
  • Especiarias fortes e terrosas
  • Especiarias amargas e adstringentes
  • Especiarias pungentes
  • Misturas de ervas
  • Misturas de especiarias
Além disso, a combinação de ervas e especiarias específicas é o que define parte das caracteristicas das culinárias regionais. E quando usamos estas combinações é possível recriar pratos autênticos de diversas culturas e países. Para ajudá-los a conhecer melhor estas combinações, convidei alguns amigos para escreverem sobre a cozinha dos países em que viveram. 
  • Sabores do México
  • Sabores da Itália
  • Sabores da França
  • Sabores do Brasil
  • Sabores de Portugal